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Janeiro de 2012 foi o período escolhido pelo governo de São Paulo e pela Associação Paulista de Supermercados (APAS) para colocar em prática o acordo que visa a substituição das sacolinhas descartáveis por alternativas de vida útil mais longa. No mesmo mês, é apresentada ao consumidor a primeira solução rígida de plástico para acomodar compras sem despertar a ira ecoxiita: um carrinho de polipropileno (PP) dobrável, com poliamida na estrutura das duas rodas, ligadas por eixo metálico e revestidas com elastômero termoplástico (TPE). A novidade é assinada pela Cobrirel, cujas décadas de crescimento constante no ringue de utilidades domésticas (UD) são mérito da sua usina ambulante de criações exclusivas, o fundador Antônio Trevisan.
A ideia começou a ser esboçada a partir de um hábito do transformador. Ele sempre retorna com alguma inspiração na bagagem de suas viagens anuais à Europa. Há dois anos, no entanto, após cruzar a Itália e França, chegou a seco e irritado ao ponto final, na Alemanha. “Perdi o sono uma noite rascunhando projetos no laptop e foi assim que o carrinho nasceu”.
Há cerca de 12 meses a construção dos moldes foi iniciada na ferramentaria na sede da Cobrirel, na zona leste paulistana. “O desenvolvimento exigiu a montagem de oito moldes”, ele abre. No início da comercialização, a empresa prevê fabricar 10.000 unidades/mês. Em um semestre, o volume deve dobrar, antecipa o dirigente, de olhos fixos no filão do autosserviço. “O investimento nos moldes para o lançamento do chegou a R$ 800.000 e, se dependesse de comprar injetoras, o aporte subiria à faixa de R$1,5 milhão”, ele situa.
Além de alternativa a qualquer sacola, o lançamento da Cobrirel põe no chinelo, sustenta Trevisan, a opção do carrinho de feira, eventualmente utilizado para idas ao supermercado. O modelo desmontável de polipropileno (PP) leva três cestas (ou organizadores dobráveis) e cada uma comporta 6 kg, totalizando capacidade para acondicionar 18 kg de compras. “Com a divisão em três compartimentos, o consumidor pode separar itens cujo contato entre si não é recomendável, caso de aliar produtos de limpeza a alimentos. Nas sacolas ou no carrinho de feira, entra tudo misturado e embolado”, explica o inventor. Vazio, o carrinho desmontável da Cobrirel pesa cerca de 5 kg, pode ser travado e toma pouco espaço na despensa.
Neste primeiro semestre, a Cobrirel pretende introduzir o carrinho em redes do autosserviço. Também será ofertado nas lojas física e on line da Cobrirel, ao preço sugerido de R$ 200 a R$ 220. “Portanto, um item destinado às classes média e alta”, conclui Trevisan. Se bem cuidado, ele avisa, o carrinho não tem prazo de validade e seus organizadores, caso quebrem, podem ser comprados separadamente. O transformador, aliás, equipou o carrinho com cestos que já introduzira no mercado, baixando assim os custos de produção do veículo.
Os chassis dos carrinhos são injetados por parceiro não relevado da Cabrirel, possuidor de injetora de 650 toneladas. No momento, o maior modelo das 19 injetoras de Trevisan é o de 450 toneladas, Na futura sede já em terraplanagem em Atibaia (ver à pág. 11), o transformador adianta o plano de adquirir máquinas a partir de 1.000 toneladas, com base no espaço disponível para tanto e hoje inexistente na matriz no bairro da Mooca. Até vingar essa mudança, ele delimita, a estrutura do carrinho será fornecida somente na cor cinza e os organizadores virão em vermelho, azul, preto, cinza e multicor.
A Cobrirel já entrou com o pedido de patente do veículo junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Embora protegida pela abertura do processo, a carta do registro deve demorar a sair, julga calejado Trevisan. Por conta da elefantina morosidade oficial, ele ilustra, uma patente que a Cobrirel requisitiu em 2001 para sua bomba de garrafão de água só foi concedida em 2010.

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